quinta-feira, 13 de maio de 2010

Cadeira histórica para Bento XVI no encontro com o mundo da Cultura

Papa vai sentar-se numa cátedra feita em meados de 1700

No encontro com o mundo da Cultura, previsto para as 10h00 do dia 12 de Maio, no Centro Cultural de Belém, Lisboa, o Papa vai sentar-se numa cadeira feita em meados de 1700 para o 2º Cardeal Patriarca de Lisboa, D. José Manoel da Câmara (1754-1758).
A cadeira, de braços, reflecte bem o hibridismo por que se pauta a generalidade da produção de mobiliário português dessa época.
Peça executada no contexto das diversas encomendas destinadas ao novo edifício da Igreja Patriarcal de Lisboa, após o terramoto de 1755, poderá ser atribuída ao entalhador Silvestre de Faria Lobo, ou a um artífice do seu círculo de influência.
Conceituado mestre entalhador da Casa Real, com vasta actividade, por estes mesmos anos, ao serviço da Congregação Patriarcal, a ele se devem, com efeito, diversas peças para a nova Igreja.
De elegante sinuosidade, sem dúvida filiada nos modelos franceses das fauteuils do tempo de Luís XV, nela se reconhecem também anacrónicas estruturas de perfil rectilíneo.
Revestida a veludo carmesim e madeira dourada, especial destaque merece o trabalho decorativo do seu espaldar, com ornamentação entalhada de gosto rocaille, enquadrando o escudo do patriarca D. José Manoel da Câmara.
A peça pode ser vista em Lisboa, na exposição “A Igreja Lisbonense e os Patriarcas”, patente ao público no núcleo museológico do Mosteiro de São Vicente de Fora.
O Papa Bento XVI visita Portugal de 11 a 14 de Maio, com passagens por Lisboa, Fátima e Porto.


Sandra Costa Saldanha, Centro Cultural do Patriarcado de Lisboa
via:http://www.agencia.ecclesia.pt/cgi-bin/noticia.pl?&id=79133

terça-feira, 11 de maio de 2010

ARTE SACRA E A CONTEMPORANEIDADE

Arte sacra e a contemporaneidade é o tema do congresso de liturgia na Itália



Acontece de 3 a 5 de junho no famoso mosteiro de Bose um importante evento que abordará temas pertinentes à arte e liturgia.



Alguns dos temas:



• Arte religiosa, arte sacra e arte litúrgica



• A sacramentalidade da arte na liturgia



• A visibilidade da Palavra



• Artistas,clientes e comunidade em diálogo



• Ortodoxia e arte contemporânea



• A liturgia cristã e os desafios para uma arte contemporânea



Mais informações no site: http://www.monasterodibose.it/index.php/content/view/3421/90/lang,it/

ARTE SACRA E MEMÓRIA

DO SITE FOLHAONLINE:

Cupins ainda atacam quadro de Candido Portinari em Batatais (SP)
Um ano depois da descoberta de uma infestação de cupins na obra "Sagrada Família", do pintor Candido Portinari, em Batatais (a 352 km de São Paulo), a obra continua exposta sem que nenhum trabalho de combate ou de prevenção da prega tenha sido feito.



O quadro está na igreja do Senhor Bom Jesus da Cana Verde. De acordo com o guia cultural da igreja, Antônio Otávio Squarize, tudo permanece igual, à espera da finalização de um projeto de restauro.


"Só restauradores podem mexer na obra. A incidência de cupim é pouca e não é preocupante. A restauração que aguardamos é para todo o acervo", disse Squarize.


Há 23 quadros de Portinari na igreja. Segundo o secretário de Esportes e Turismo de Batatais, Antônio Carlos Correa, o projeto de recuperação do acervo, que inclui 32 quadros obras de Mozart Pelá também estão no pacote tem custo estimado em R$ 300 mil, mas não há recursos.



"Foi feito o levantamento por pessoas especializadas, encaminhamos aos órgãos de preservação do patrimônio e, quando for finalizado, vamos buscar a verba", disse o secretário de Batatais.


De acordo com o Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico), o projeto foi aprovado no órgão em dezembro de 2009 e precisa agora ser encaminhado para apreciação do Iphan (Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional).

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Arte Sacra da Rússia no Louvre

Quem for ao museu do Louvre até dia 24 de maio poderá conferir um legado importante da arte sacra russa do século X até o reinado de Pedro o grande (1692-1725).Para todos que vamos ficar por aqui mesmo, resta-nos admirar as imagens abaixo:




Evangeliário de Ostromir

Cálice

Ícone da Virgem de Vladimir em Moscovo (ícone)

Panaghiarion (patena destinada a conter um pedaço de pão simbolicamente oferecido à Virgem pelos monges e bispos no fim das refeições e durante a liturgia de Matinas)

Cruz votiva

Basílio, o bem-aventurado (ícone

Procissão de Domingo de Ramos em Moscovo

Veja a exposição completa no site:

domingo, 25 de abril de 2010

Toda arquitetura é linguagem.

“Não sabeis que sois o templo de Deus, e que o Espírito de Deus habita em vós?”

São Paulo, 1 Cor 3, 16

Partir desse pressuposto é algo extremamente interessante, principalmente se pensarmos que também a liturgia tem uma linguagem própria e que ambas,  arquitetura e liturgia, em suas linguagens compartilham muitas vezes dos mesmos caracteres: a linguagem dos símbolos.



Prescindindo de uma análise mais apurada – afinal existe uma ciência que lida em profundidade com essa temática: a semiótica -, o símbolo tem a virtude de nos remeter, a partir de uma realidade dada, à uma realidade mais abrangente, mais profunda.


Ernest Cassirer, o célebre filósofo dizia com razão que a melhor definição para o homem não era a de que ele é um animal racional, mas sim, a definição mais abrangente de que ele é um animal simbólico. De fato, nós conseguimos enxergar nas coisas realidades que os outros animais não vêem.
 
Nesse sentido, quem não se lembra da célebre passagem contida na obra prima de Saint-Exupery, “O Pequeno Príncipe”, na qual a raposa, ao encontrar o principezinho, tem sua vida transformada: a partir daquele encontro, os campos de trigo dourado, que não tinham uma particular importância para ela – a raposa, animal sabidamente carnívoro e na realidade nada afeito aos símbolos! – agora eram a imagem simbólica da presença do amigo.


Aqui no Brasil, algo nessa mesma linha havia intuído já há algum tempo atrás Leonardo Boff: em seu livrinho “Os sacramentos da vida e a vida dos sacramentos” (Ed. Vozes), Boff nos abre novos horizontes sobre a questão simbólica ligada à idéia de sacramento, isto é, de presença real da divindade em meio à história humana, através de símbolos.


De fato, já Santo Agostinho nos ensinava que o sacramento é a forma visível da graça invisível. Essa afirmação tem um sabor muito forte seja para a liturgia, seja para a arquitetura: se, como era costume dizer, em liturgia uma falha grave na forma pode invalidar um sacramento, o que dizer da arquitetura religiosa?



É óbvio que entre o conteúdo e a forma, parece que devemos conceder uma primazia ao conteúdo. Porém, não podemos subestimar as formas: por exemplo, quem consegue se lembrar da homilia que o padre fez por ocasião de sua primeira comunhão? Quase ninguém! Mas, em contrapartida, são muitos aqueles que se lembram da igreja onde fizeram sua primeira comunhão…
Quantas igrejas não apresentam atualmente falhas graves em suas formas as quais muitas vezes nos impedem um espírito de recolhimento para a oração e, ainda pior, não permitem uma celebração litúrgica ativamente participada – como preconizara o Concílio Vaticano II!




A arquitetura é linguagem e, como tal, quando entra no campo do sacro deve falar-nos de Deus. Na Igreja Antiga a arquitetura de uma igreja estava carregada de simbolismo: o presbitério (onde ficam os presbíteros), era visto como o lugar de Deus Pai; a chamada nave, onde ficam os fiéis (que são o corpo de Cristo!) é o lugar de Deus Filho, e a parte exterior, onde fica a massa informe das gentes é o lugar de Deus Espírito (que pairava sobre as águas primordiais, símbolo do caos, da não forma).


De algum modo, a igreja construção deveria dar visão à realidade do Deus Trindade que ‘quer que todos os homens sejam salvos’.



Por outro lado, se há uma certa sacralidade no espaço litúrgico, os mesmos Padres da Igreja sabiam muito bem que não eram as paredes das igrejas que faziam das pessoas bons cristãos; para eles não basta apenas ir à igreja construção para se dizer cristão, mas é necessário ser ‘tijolo’, isto é, ‘membro’ da igreja comunidade, através da aderência da vida à fé e do recebimento da graça do Senhor.


De fato, já São Paulo havia compreendido em plenitude que o templo verdadeiro da Glória de Adonai, não é mais uma construção, mas sim o corpo humano.


Não obstante essa verdade essencial do Apóstolo, necessitamos de espaços que nos ajudem a entrar profundamente no mistério de Cristo – que é o Deus eterno e infinito que se faz tempo e espaço ao assumir um corpo - o qual, ‘morrendo destruiu nossa morte e ressuscitando restaurou nossa vida’.


Projetar uma igreja, ou mesmo reformar um espaço litúrgico, não tem nada de casual: é saber equilibrar forma, função e símbolo sacramental; é dar o passo primordial na evangelização do coração do homem através de uma linguagem acessível e, ao mesmo tempo, misteriosa.

Gabriel Frade

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Dom Adelbert Gresnicht e o Mosteiro de São Bento SP

(Monge artista responsável pela ornamentação interna da Basílica de Nossa Senhora da Assunção – Mosteiro de São Bento de São Paulo)

Charles Louis Gresnicht nasceu à 4 de Novembro de 1877 em Utrecht (Holanda). Iniciou seus estudos em desenho com o Prof. Van Geldorp, ainda muito jovem.



Em 1893 se apresentou na Abadia de Maredsous na Bélgica, para se tornar monge, onde desenvolveu seu gosto artístico. Depois de um ano foi enviado à Abadia de Beuron (Alemanha), onde trabalhou sob direção de Dom Desiderius Lenz.


No ano seguinte partiu para Praga (atual Republica Tcheca), onde os monges da “Escola Artística de Beuron” começavam a ornamentar a igreja dos Beneditinos de São Gabriel. Teve aí então, a oportunidade de se aperfeiçoar na arte religiosa e nas diferentes técnicas da profissão. Após uma aprendizagem de dois anos, aos 19 anos de idade, executou suas primeiras pinturas murais e, neste meio tempo, aprendeu modelagem. Retornou ao Mosteiro de Maredsous em 1896 para fazer o noviciado sob o nome de irmão Adelbert, sendo admitido à profissão monástica em 15 de Agosto de 1898.

Após os estudos filosóficos em seu mosteiro, estudou teologia no Colégio Santo Anselmo, em Roma, quando conheceu os tesouros artísticos da “Cidade Eterna” e das demais regiões da Itália.



Foi nesta época que Dom Didier Lenz, o mestre da “Escola Artística de Beuron” convidado pelo Abade Krug para ornamentar a cripta de São Bento em Montecassino, pediu ao padre Abade de Maredsous a autorização para que Dom Adelbert o acompanhasse, e a ele é confiada, na cripta uma parte importante do trabalho que consistia em uma frisa de mármore com cerca de trinta metros de comprimento e 1,30m de altura na qual deveriam ser esculpidas personagens ilustres da Ordem Beneditina que se dispunham em procissão ao túmulo de São Bento. Dom Adelbert se ocupou também da ornamentação geral da cripta que foi inaugurada solenemente no final do ano de 1913.


O então Abade do Mosteiro de São Bento de São Paulo, Dom Miguel Kruse, após admirar a obra de Dom Adelbert em Montecassino, solicitou sua colaboração para desenhar os planos de ornamentação geral da igreja abacial que acabara de construir em São Paulo. O jovem artista deveria consagrar dois anos a este trabalho, mas poucos meses após sua partida estourava a 1ª guerra mundial. O Abade de Maredsous, então, lhe determina ficar no Brasil e executar ele próprio as ornamentações previstas.



São Também de sua autoria a ornamentação da igreja de Santo Anselmo em Nova York (Estados Unidos da América), os planos para construção dos seminários regionais para a Universidade Católica de Pequin (China) e o monumento funerário do Papa Pio XI, nas criptas vaticanas.


Ir. João Baptista Barbosa Neto, OSB
(Monge do Mosteiro de São Bento de São Paulo)

Serviço:

Mosteiro de São Bento
Largo de São Bento, s/n - Centro -São Paulo

Tel.: (11) 3328-8799

Site: http://www.mosteiro.org.br/